lunes, 1 de junio de 2009

A que hora se inventou a hora?

O agora, nunca vai embora, já pensou? O depois, este já foi. Melhor, virá. O antes já não é importante, ou não será. Para que tanta exatidão de hora se a tal, a hora, nunca exata será? O dia, ou a noite, estes que definem a hora, não serão os mesmos quando o inverno for embora e o verão chegar. O relógio, este dos minutos medidos por segundos vai tempinho pra frente, ou pra trás e não dá a mínima em que hora levar.

O tempo, felizmente, não é o mesmo no mundo e nem sua forma de vivê-lo e considerar. Cultura começa dia na angústia da aurora, na loucura do ganhar, trabalhar, aproveitar. Dormir? Por favor, só seis ou sete horas e só poucas outras para comer, viver, ou passear. Tudo mais é trabalhar, trabalhar e trabalhar.

Outra cultura nem vê a tal aurora, porque se desperta na hora que bem despertar, já que a semente na terra, o fruto na árvore, o bicho que cresce têm lá seu tempo de aparecer, colher e matar. Importante e necessário mesmo e deixar a bendita hora passar. E com ela gastar boa prosa, comer com demora e dormir só se o sono chegar.

Quem definiu a hora da fome? A hora do “rush”? A de calar? Como dizer que tal hora é a boa, a exata, a certa se o planeta Terra, em cada janela tem uma hora a mostrar? Nascer e morrer isso sim, tem lá sua hora e no tudo mais, por favor, vamos nos respeitar!

sábado, 28 de marzo de 2009

O Caminho e as Malas




“Se um sistema em equilíbrio é perturbado,

o sistema evoluciona para contra-arrestar dita perturbação,

chegando a um novo estado de equilíbrio.”

Henri-Louis Le Châtelier (químico industrial francês)


O Princípio de Le Châtelier, apresentado acima, trata sobre o elemento químico e sua luta para evolucionar sempre quando seu equilíbrio é afetado, seja por aumento ou diminuição de concentração, por fatores de temperatura ou pressão. O importante, ao final, é encontrar outra vez o equilíbrio.

Os seres humanos, que além de química e substâncias são também formados por sentimentos, pensamentos e emoções, igual caminham, mesmo que não percebam, sobre o Principio de Le Châtelier, porque o “desequilíbrio” é desagradável e incômodo sempre. O que falta, muitas vezes, é “evolução” ideal, ou sabedoria para construir outra vez o perfeito equilíbrio.

O novo, o desconhecido, o inédito pode se dizer que são químicas perfeitas no caminho da mulher e do homem para provocar-lhes bom “desequilíbrio”. E este “novo” pode ter variadas representações, desde sair à outra cultura e/ou país, a simples mudança de trabalho, atividades rotineira ou relacionamento.

O importante é seguir tendo a sensação, mesmo que seja e será incomoda, de que se está indo sempre, caminhando, seguindo, mesmo sem ver a volta, porque esta busca, segundo o químico francês, caminhará para a evolução do “sistema”, do pensamento, do sentimento, do ser criado e criativo. E o final será só uma parada: o equilíbrio.


sábado, 7 de febrero de 2009

Sobre “Brothers” e “Tele” GuerraS

Por uma sociedade mais consciente e presente

A “revolução” comunicativa proporcionada pelos meios de comunicação massivos, como a televisão, internet e rádio têm, entre outras milhares de características, a especificidade de fazer os es- pectadores presentemente-ausentes dos fatos. Em outras palavras e, talvez, “melhores”: fazer os espectadores saber e nada fazer. Passividade.

Contemporaneamente a nova investida militar dos “brothers” israelenses sobre seus “brothers” palestinos, novos “brothers” se conheciam na casa mais tele-visitada do Brasil, aquela, a do Bial. Aqui, curioso: Atividade.

E, assim, entre ver e saber sobre as muitas crianças e mulheres sendo “explodidas” além mar, também se podia “ligar” e decidir quem não passaria do muro ... ops, é parede (paredão) ... muro é dos outros “brothers”... aqueles dos quais não importam suas questões. Passividade.






sábado, 6 de diciembre de 2008

"O senhor... Mira veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas -- mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior." (Guimarães Rosa, Grande Sertão, Veredas)




Sim, "verdade maior", quando você se vê desafiado a conhecer, aprender e entender, e isso, sem as palavras, há que "afinar" e "desafinar" sem stress, sem desesperar...apenas respeitando e se fazendo respeitar.

Definitivamente "as palavras não são as coisas, só servem para ordená-las". Que cada um, um dia, em algum lugar, em um especial momento, possa ter a bela experiência de aprender o que a palavra não pode ensinar. Conhecer o que a palavra não vai te mostrar. Entender o que a palavra não sabe "falar". E aceitar, que "interminados" somos e seguiremos, com muita ou pouca palavra a compartilhar!







lunes, 22 de septiembre de 2008

Cultura, a sua



Vejo você, me vejo. Vejo eles, elas, nos vemos. Estamos aqui, ou ali, ou lá. Tanto faz, estamos em qualquer e todos os lugares. De repente, Nossa, não reconheço nada mais. Se vai longe, além, sabe-se lá pra que lugar.

Uma vida, uma História, uma cidade. Quantos olhos podem contemplar uma mesma imagem? Quantas mentes podem imaginar uma mesma idéia? E, ao fazer, que universos de “filtros”: sul, norte, branco, negro, rico, pobre. Humano.

Estar em uma nova cidade, um outro país é se ver em tudo, sentir-se “igual”. Porém, é também não estar em nada e viver o diferente. E, ir aprendendo e ensinando que riquezas e misérias, amores e dores, sonhos e desesperos não “nasceram” com nacionalidades.

domingo, 3 de agosto de 2008

Tv Intertribal, a Webtv dos Índios Brasileiros



http://www.tvintertribal.com.br/


O acesso à educação, ao bem estar-social em geral (saúde, trabalho, moradia) ainda são desafios no Brasil, país com seus já 190 milhões de habitantes. O acesso às tecnologias da informação e comunicação, como a Internet, representam só mais “detalhe”.

No entanto, as comunidades, grupos, associações culturais, étnicas, educacionais têm trabalhando dia a dia para avançar e superar todas e quaisquer dificuldades. O projeto Tv Intertribal, a Webtv das etnias indígenas brasileiras, ainda em seu caráter experimental, é só um dos bonitos e grandes exemplos.

Assim, com o uso ativo da transformação da mediação da informação, do conhecimento, da cultura que traz Internet, pouco a pouco vão transformando também suas realidades.

sábado, 12 de julio de 2008

Pela não marginalização da Imigração em Europa

E que…? Os bens naturais e físicos são eternos, inacabáveis? A paz e o progresso sempre estarão entre nós!? Jamais necesitaremos de nada e de ninguém…!! Pois, que pena, como bem refletiu o líder Martin Luther King “aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos a simples arte de vivermos juntos como irmãos.”

A todo este discurso e ato de cada vez tornar mais e mais “marginal” os imigrantes e a imigração em Europa deixo o poema “El Barco” de Pablo Neruda como crítica e consideração.


El Barco

Pero si ya pagamos nuestros pasajes en este mundo
por qué, por qué no nos dejan sentarnos y comer?
Queremos mirar las nubes, queremos tomar el sol y oler la sal,
francamente no se trata de molestar a nadie,
es tan sencillo: somos pasajeros.

Todos vamos pasando y el tiempo con nosotros:
pasa el mar, se despide la rosa,
pasa la tierra por la sombra y por la luz,
y ustedes y nosotros pasamos, pasajeros.

Entonces, qué les pasa?
Por qué andan tan furiosos?
A quién andan buscando con revólver?

Nosotros no sabíamos
que todo lo tenían ocupado,
las copas, los asientos,
las camas, los espejos,
el mar, el vino, el cielo.

Ahora resulta
que no tenemos mesa.
No puede ser, pensamos.
No pueden convencernos.
Estaba oscuro cuando llegamos al barco.
Estábamos desnudos.

Todos llegábamos del mismo sitio.
Todos veníamos de mujer y de hombre.
Todos tuvimos hambre y pronto dientes.
A todos nos crecieron las manos y los ojos
para trabajar y desear lo que existe.

Y ahora nos salen con que no podemos,
que no hay sitio en el barco,
no quieren saludarnos,
no quieren jugar con nosotros.

Por qué tantas ventajas para ustedes?
Quién les dio la cuchara cuando no habían nacido?

Aquí no están contentos,
así no andan las cosas.

No me gusta en el viaje
hallar, en los rincones, la tristeza,
los ojos sin amor o la boca con hambre.

No hay ropa para este creciente otoño
y menos, menos, menos para el próximo invierno.
Y sin zapatos cómo vamos a dar la vuelta
al mundo, a tanta piedra en los caminos?

Sin mesa dónde vamos a comer,
dónde nos sentaremos si no tenemos silla?
Si es una broma triste, decídanse, señores,
a terminarla pronto,
a hablar en serio ahora.

Después el mar es duro.

Y llueve sangre.

Pablo Neruda
Navegaciones y Regresos (1959)